 | Sobre | Jun 25, 2005 |
Aqui vão ficar parte das fotos de minhas viagens por aí. Espero que apreciem! =) Edson Chinen |  | Estádio do Morumbi - São Paulo - SP |
|  | Cidade do Rock - Rio de Janeiro - RJ |
|  | Passeio por Foz do Iguaçu-PR |
 | USP | Jan 28, '11 1:14 PM for everyone |
|  | Cidade Universitária - Butantã |
|  | Férias fev/2010 |
 | É Tarde! | Jul 10, '09 6:32 PM for everyone |
É tarde! Os sinos que há pouco badalavam já não o fazem mais. É tarde! A luz que brilhava ao dia claro já não é mais a mesma. É tarde! Tudo que sonhei nesses dias, do mais perfeito ao mais sublime, tudo se foi... Se foi com meu coração... Meu coração que estava cheio de ternura, alegrias mil, mil melodias, agora está longe, tão longe que não o vejo... ... É tarde! A tempestade chega, e o azul do céu foge. As nuvens se fecham e a chuva cai, dando fim ao meu sentimento nobre... E o que me resta não se sobressai! É tarde! As alegrias da infância, as rebeldias da adolescência, nada me manterá sobre esta corda bamba, porque as marcas da experiência foram maiores, muito maiores do que eu podia imaginar... Mas é tarde! O brilho dos olhos dela, que significavam tanto para mim, não me olham mais. É tarde! A noite chegou, a escuridão chegou, e o porvir é mais incerto... Queria acreditar que aqueles dias em que a encontrava, quando ela sorria, ria, aqueles dias seriam eternos. Queria acreditar que sonhos podiam se tornar realidade. Eu acreditava, não acredito mais... Não acredito mais em mim... ... É tarde! Minhas horas estão acabando, os minutos estão se acabando. Minha vida não existe mais... É tarde! Esses são meus últimos dias, meus últimos suspiros, meu último expiro... Ah! Sonhar! Sonhar que o mundo seria diferente, que tudo seria diferente, que eu seria diferente... Sonhar! Sonhar com o impossível, com o inimaginável! Mas ah! Sonhar não adiantou... ... Viver, na vida errante dos ciganos, esse é o meu destino! Passageiro andante da paixão, caminhando à procura do amor, o amor que perdi pelo caminho. Meu caminho de pedras, que sequer me agüentou aos primeiros passos... Agora estou só, só nesse mundo que criei, só nessa vida que não me quer, só, simplesmente só... Mas não posso, eu quero mas não consigo, deixar passar, deixar de sentir, deixar tudo aquilo em que me inspirei, tudo que me fez sofrer, deixar tudo isso para começar de novo, tudo... Porém não adiantaria! Seria tudo igual, os mesmos erros, as mesmas lacunas, as mesmas agonias, o mesmo sofrimento... ... E continuo a seguir, a seguir minha sombra, a seguir meu reflexo... A me procurar, a procurar um sentido, o sentido que perdi, a perda dos ideais, pulverizados pela realidade, pela dura e vil realidade... É tarde! Meus ideais acabaram. Meu sonho acabou. Minhas crenças acabaram. Minha vida acabou... O manto que me cobria, que me escondia, que me defendia, não existe mais. E, ao espelho, o que vejo? O nada, o vazio de minha vida, do que ela foi até este momento. É o fim, o fim de tudo e de todos, o fim de minhas certezas, o fim de mim... ... Meados de 98 / julho de 99  | Sonhar | Jul 10, '09 6:31 PM for everyone |
Entender, O que não foi feito para entender. Explicar, O que não foi feito para explicar. Agredir, O que foi feito para amar... Essa é a busca do sonhador, Que procura o real. Real, do imaginário se faz, mas em vão... Pois, sem querer, tudo acontece Rápido, incontrolável. Sonho e realidade, faces antagônicas Que, por quererem se completar, Tornam-se mais e mais opostas...  | Recomeço | Jul 10, '09 6:31 PM for everyone |
Ficou sem dormir até a madrugada. Não, realmente não era sua intenção ficar ali, na sala escura, naquele sofá velho, afinal tinha que acordar cedo para o trabalho ao alvorecer. Mas algo incomodava dentro de si, e não conseguia atinar o que era. Sabia apenas que precisava de um momento só. Aquela madrugada quente, as janelas abertas, o ar da noite a entrar e acariciar-lhe o rosto, mas, devido àquela sensação em sua mente, não se permitia prestar atenção nesses detalhes. Sentou-se e começou a refletir, precisava definir aquilo que estava a tirar seu sono. Começou a pensar, pensar em tudo que lhe acontecera nos últimos tempos, o amor que surgira, rápido e fugidio, sem maiores envolvimentos e que machucara seu coração, já meio frágil nessas questões sentimentais. A imagem daquela pessoa veio-lhe a mente. Tão rápida como veio saiu antes de causar uma lágrima em seus olhos. Voltou-se para a janela novamente. As estrelas estavam todas lá, junto com uma lua cheia que iluminava aquele céu. Procurou alguma constelação conhecida, mas a luz da cidade grande atrapalhava sua busca. Acabou encontrando as Três Marias, do outro lado viu o Cruzeiro do Sul. De repente, viu algo passar cortando a escuridão entre as estrelas. Teria sido uma...? Sim, mais uma estrela cadente passava ali perto. Pensou em pedir um desejo. Mas o que desejar? O que pedir num momento em que pensava numa única coisa? Não, não podia se deixar levar por essa fraqueza, não de novo. Outra linha passava no céu e a indecisão aumentava, mais e mais. Então reparou que aquele era seu modo de agir, uma falta de tomar decisões firmes e com as quais se sentisse bem e as seguisse. Sempre voou junto com a brisa que fosse mais forte a cada momento de sua vida, sem pensar nas conseqüências disso em seu futuro. Foi assim com os familiares, a respeito do colégio e na escolha do curso superior, sempre ouvindo seus pais, foi assim com os amigos, nunca discordando do que falavam, foi assim com tudo que havia feito. Estava se arrependendo? Não, acreditava que na vida tudo vinha para ensinar algo a mais, sempre para somar no longo aprendizado de viver. E, se percebia agora tão claramente aquele seu erro, é porque precisava mudar a partir daquele momento. Mas, mudar como? O que fazer para alterar o modo como havia aprendido a viver? Não sabia responder àquilo, mas algo dizia que era preciso tentar e, de alguma forma, começar. Começar a fazer planos, a decidir seu próprio futuro, decidir quais os passos a serem dados dali em diante. Não deviam ser planos vazios, precisavam guiar sua vida nessa trilha obscura da mudança, sem saber se seria para melhor ou para pior. Para melhor, tinha quase certeza de que estaria vivendo mais feliz, e isso lhe dava mais forças para ir em frente. De repente outra estrela cadente cruzou os céus, e sem hesitar fez seu pedido. Olhando-se num espanto de toda convicção que tivera ao fazê-lo, um orgulho encheu-lhe o peito e de cabeça erguida sentiu-se livre, livre dos outros, livre para pensar sua vida, mais confiante em si do que na opinião alheia. Finalmente, começou a reparar na noite bela, com a lua cheia em meio àquele céu limpo, raro na cidade grande, sentindo aquela brisa noturna entrando pela janela e as luzes da cidade vistas da sala de seu apartamento iluminando as ruas. Voltou-se para o interior do recinto e com tranqüilidade deitou-se no sofá, dormindo ali mesmo à espera do dia clarear. Janeiro de 2000  | Outono | Jul 10, '09 6:30 PM for everyone |
Almoço. Se é que se pode chamar assim, dois lanches e um suco, além das batatas. E dentro do carro. Na correria de sempre, que de tão sempre, já era habitual. Ali no meio da rua, olhando em volta, a gravata frouxa, o ar ligado e eu comendo aquelas coisas gordurosas. Nada contra, na pressa não tenho outra escolha. Era isso ou o pacote de biscoito na gaveta do serviço. E convenhamos, não há competição nesses termos. E de repente, assim como essas situações que te acontecem, ali estava, do outro lado da rua, uma moça andando. Não que ela fosse diferente, nem especial. Eu nem a conhecia. De fato não a conheço até o presente momento. Nem era a primeira pessoa que passava, já outras cinco passaram em suas pressas cotidianas, indo de cá para lá. Mas ela não. Ela andou e parou. Parou ali, na calçada, olhando as coisas sem muita preocupação. Balançando o fichário no braço direito, o esquerdo com a bolsa pendurada. Pensativa, olhava para o chão, olhava ao redor. E dessa forma, prendeu-me a atenção por alguns minutos. Não era das ruas mais movimentadas. Bem arborizada, calçadas largas e um canteiro central dividindo os dois sentidos da via. Na primavera ficava cheia de flores amarelas, mas neste outono a folhagem cobria o lugar, e o frio que fazia dava um outro tom, mais ameno e repousante. "O que fazia ali?", pensei. A resposta óbvia era estar esperando por alguém. Seria aquela espera de filha aguardando o pai vir buscar, depois da aula no colégio? Não, não ali, sozinha no meio fio. E mesmo que fosse, estava tranqüila, bem calma, remexendo as folhagens amontoadas pela guia da calçada. Tinha começado a andar de um lado para outro. Devagar, medindo cada passo que dava, ainda pensativa. Não olhava o céu, cinza naquela hora do dia, encarava mesmo as gramas e folhas que estava a pisar. Encontra um amontoado maior delas e resolve revirá-las com o pé. Um carro passa, ela olha. E volta a concentrar-se nas folhas pelo chão. No que será que pensava? Talvez no que faria nas próximas horas do dia, se não tivesse nada programado. Talvez pensasse naquele rapaz que ela achava que era o amor de sua vida, em como faria para falar com ele, estar com ele. Ou talvez isso já fosse uma realidade, e agora seu rosto estava a denotar certa inquietação, e talvez ela estivesse com medo de perdê-lo, na insegurança que sentia quando não estava com ele. Daqueles momentos em que se precisa estar sozinha, pensamento em si, desvendando mistérios guardados dentro dela mesma. Um vento frio sopra, fazendo-a encolher-se dentro de sua jaqueta preta, por cima de uma blusa de lã vermelha. Outro carro passa, ela volta a olhar. Devia estar realmente esperando alguém buscá-la.E repentinamente ela sorriu. Um sorriso convicto, desses que envolvem todos que estão em volta. E aquele sorriso desfez todas as teorias que eu tinha inventado até então. Ela vivia, essa era a verdade, naquela inocência da juventude. Um carro veio e parou junto a ela. A moça de passageiro deu espaço para que ela entrasse e se sentasse no banco de trás. O rapaz que dirigia, assim que se fechou a porta do veículo, engatou a marcha e se foi, com a moça do sorriso que, por uns instantes, me entregou aos meus próprios pensamentos. O lanche acabou, e eu voltei para o escritório, com um aprendizado que nem tinha idéia do que significava, mas que mudava tudo daquele restante de dia. O dia seguinte? Talvez voltasse tudo ao que era. Talvez não. 25/05/2002  | Loucura | Jul 10, '09 6:29 PM for everyone |
Numa dessas noites de outono, fria e úmida, vi naquela rua um senhor de idade, todo agasalhado, a andar tranqüilamente, parecendo não ter destino sua caminhada. Mas como que de repente ele pára, olha ao redor e não vê ninguém. Pudera, já era madrugada e uma neblina fina começava a cobrir a noite. Ele encara a casa que está a sua frente. Uma construção antiga, casa simples, tão simples quanto o senhor, mas abandonada pelo tempo. Ele retira um ramo de flores de dentro de sua blusa e o deposita em frente ao portão. Nitidamente ele começa a chorar e se ajoelha ali mesmo. Não havia dúvidas, era um desses amores eternos, bem vivido, mal acabado é verdade, mas jamais esquecido. Quem me dera, ao menos uma vez, ter sentido tamanho amor como o daquele senhor! Volto-me para dentro de meu quarto e dou uma olhada em volta. Tantos livros, tantos cadernos, tantos papéis, adquiridos por toda minha vida. E realmente aquilo tudo que estava ali fora o que eu acumulara nesses anos todos, o saber, o conhecer, só para ser alguém na vida. E agora me pergunto: "¾ Eu sou feliz?", e a resposta me deixa pasmo: "¾ Não!". Como poderia ser feliz se sempre senti a falta de um complemento em minha vida? Não, honestamente eu nunca fui feliz, sempre amores frustrados, mal resolvidos, brigas, por causa do meu jeito de ser, que sempre impediu que minha alma se abrisse para outras pessoas. Olho novamente ao redor e vejo a foto dela. Tão linda, cheia de vida, e por eu não ter tido coragem, agora ela estava longe, bem longe de mim. Era frustrante, acreditar que ela se adaptaria ao meu modo de vida. Doce ilusão... Um ódio de mim mesmo começou a crescer e a me incendiar internamente. Minha raiva aumentava à medida que percebia o quanto tinha sido tolo até aquele momento. Tive a idéia de me matar. É, acabar com esse sofrimento que me devorava por dentro. Chego a carregar a arma para tal. Porém acabar com minha própria vida não era a solução. Tampouco passar o resto dos meus dias a sofrer por isso como o senhor lá fora. Não, ainda havia tempo para voltar atrás, eu poderia mudar, custasse o que custasse, seria mais feliz do que toda minha vida! Eu iria atrás dela, onde fosse preciso, mas... e se ela não me quisesse mais, se já tivesse se esquecido de mim? Eu não agüentaria receber um "não" na cara, faria alguma loucura ou... Pááá!!! Um estampido forte e seco! Corro para a janela. Lá fora está o senhor caído no chão, uma arma em sua mão e uma poça ao seu redor. Alguém corre já longe. Saio de casa e chego perto. Na parede inscrito: "¾ Por ti, a quem sempre amei.". Novembro de 96 Não tinha imaginado quão estranho seria seu dia naquela manhã de sol e calor, ao acordar no chão do apartamento, onze horas de domingo. A noitada tinha sido longa, além da conta, para alguém não mais acostumado a tais atividades "extra-curriculares". As costas doloridas o incomodavam até certo ponto, a partir do qual era a cabeça que passava a fazê-lo. Virou-se para ela, esboçou um movimento, que não ultrapassou a barreira da imobilidade dos músculos, ficando apenas na intenção. Voltou-se para o teto e tentou levantar-se, movimento no qual sentiu uma dor subir-lhe pela perna e, logo em seguida, um formigamento apossou-se do membro inferior. E naquele instante único veio-lhe algo à mente, tão incrível quanto estar naquele estado. A visão que teve foi de sua mente não pertencer a si, de sua existência toda ser a imaginação de algum outro ser. Deus seria esse ser? Não, não era, pensou como se todas aquelas leituras de filosofia repentinamente fizessem algum sentido em sua cabeça. Logo, num súbito de espanto e confusão, viu um ser humano como ele imaginando toda aquela vida que levava, as alegrias e decepções que tinha, o mundo onde vivia. E da confusão veio o medo, medo da não-existênca para si mesmo, de que tudo por que passara não ter sido real, as coisas em que acreditava, todas aquelas teorias científicas, até a própria natureza, o universo, tudo não existir de fato. Levantou-se enfim, com certa dificuldade, até alcançar o sofá. A irrealidade daquilo que pensava era tão imensa que já procurava esquecer aquela loucura toda. Três longos passos até chegar na porta da cozinha, como se a noção do tempo estivesse congelada, foi em busca de um copo d’água. Tão logo bebeu, descobriu o quanto agüentava seu sistema estomacal. Contudo, não conseguia deixar de lado aquelas "viagens" de sua mente. E, tentando voltar à sala, sentiu como se o chão lhe faltasse e o mundo todo perde-se a sustentação que lhe seria natural. Nesse instante de nova irrealidade, ouviu um barulho de mar, as ondas quebrando, alcançando a praia, numa areia branca e fofa. E imaginou que naquele grãozinho de areia, formado por zilhões de átomos, existissem minúsculos universos, dentro de cada átomo, elétrons, prótons, nêutrons, quarks. E aí viu-se ínfimo, tão minúsculo que não era visível num microscópio superpoderoso. Viu o universo em que vivia dentro de um quark, e ali dentro daquela minúscula partícula existente dentro do átomo, todos os sistemas planetários, o Universo inteiro, e a Terra sendo apenas um nada, ele então sendo insignificantemente imperceptível na superfície terrestre. E o universo paralelo passou a fazer sentido, apesar da dor por ter escorregado e caído de encontro ao chão, como havia acordado naquele dia. Ela voltou-se para ele e questionou o que tinha acontecido. Pensou em contar aquelas duas visões que tivera em pouco mais de hora, do sentimento de ser tudo ilusão aquilo que estava ao redor. Fez uma cara de interrogação, perguntando-se se ela seria real, misturando com outra idéia que surgira, de que o tempo também era imaginário, assim como os químicos não sabiam onde o elétron se encontrava dentro do átomo, podendo estar em dois ou em nenhum lugar num certo instante. E comparou com a vida das pessoas, do ponto de vista de uma mosca. Uma evolução inteira em sete dias, nascer, comer, crescer, procriar, morrer, e praticamente sem perceber qualquer alteração no ser humano mais próximo. Ficou pensando que o dia, para aquele pequeno ser, era uma eternidade, que as 24 horas eram 1/7 de toda sua vida. E antes que perdesse os sentidos, olhou bem no fundo dos olhos dela, como se estivesse buscando a si mesmo, sua imagem refletida na retina dos olhos dela, sentiu o amor que compartilhavam, dissipou a última sinapse sobre o assunto nos neurônios do cérebro e disse: "- Te amo..." e adormeceu, vendo o sorriso nos lábios e a estranheza surgindo na face dela. Jan/01 a Jun/01  | Gotas | Jul 10, '09 6:28 PM for everyone |
O céu claro que, de um azul turquesa, Enche meu coração de alegria, Faz lembrar-me de ti, minha riqueza, Eterna, como uma feitiçaria. Mas a tarde já chega, e o azul do céu foge. Fecham-se as nuvens e a chuva cai, Dando fim ao meu sentimento nobre. E o que me resta não se sobressai. E mesmo com tudo isso que acontece Sinto que a força do amor sobrevive, Frente à força que, dentro, me corrói. E, por entre as frágeis gotas de chuva, Surge novamente o sol, que revive O poder de algo que não se destrói. 1995 Gostava de ler, lia. Escrever não era tão bom. Mas arriscar, sempre tentar Umas linhas sobre amor. Porém, que ruim saber, Não conseguir mais imaginar Palavras doces para escrever. Gostava de ler, lia Poesias de amor Escritas por quem Sabia o que escrevia. E ao ler, imaginava As cenas ali descritas. E vontade sentia De assim escrever. Mas ah!, não conseguia... Pensamentos cinzas Vinham à mente Agora ao tentar... ‘E como explicar?’ — pensava. ‘Experiências mortas’ — dizia, Atrapalhavam seu inspirar. Abstrato era Aquilo que sentia, E irreal, Tudo o que escrevia. Das palavras escritas O real não se fazia, E, de seus desejos Inconcretos, se frustrava. Gostava de sonhar, Não sonha mais. Realidade da vida Cortou seu imaginar. 03/11/00 Anos atrás estudei com um cara de nome Cristiano. Tinha os cabelos encaracolados, parecidos com o dos anjos naquelas gravuras e esculturas da estética barroca, tipo Aleijadinho. Olhos azuis, estatura mediana, espinhas pelo rosto, mas só algumas, nada comparado com um colega nosso que tinha até nas costas. Não era o melhor aluno da sala, pelo contrário, precisava sempre de ajuda para estudar e das famosas ‘colas’ nas provas para obter a média exigida. Lembro-me certa vez em que conseguiu fazer leitura dos lábios de sua namorada durante certa prova de português, acho que era orações subordinadas, que sei lá por quê a gente estudava aquilo. Sua referência musical era meio ‘hard-core’: ouvia Metallica, Nirvana, Rage Against the Machine, Angra, Ramones e por aí vai. Até onde lembro, foi em dois anos consecutivos a um grande show que teve na cidade, reunindo grandes bandas, nacionais e internacionais. Integrava inclusive uma banda que tocava rock ’pauleira’, mas apenas uma vez tocou uma das suas músicas pra turma ouvir. Gostava de fazer brincadeiras, de rir e de fazer rir. Durante as aulas, vez ou outra, escrevia numa folha de papel algo parecido com um jornal de colunas sociais, falando abobrinhas dos tipos que havia na sala. Por exemplo, o ‘Cabeção’ sendo protagonista do filme ‘A Caixa D’água’, ou aquele com a maior ‘napa’ estrelando ‘Cyrannó de Bergerac’, entre outras. Até desenhou a lápis os rostos de todo mundo da sala, ressaltando as peculiaridades faciais de cada um. Mas o que mais chamava a atenção nele era seu modo de pensar. Não sei explicar isso de forma clara, mas é como se ele enxergasse a vida com outros olhos, de uma perspectiva completamente obliqua às das outras pessoas. E demonstrava bem isso durante as aulas de redação, em especial quando escreveu um texto, na minha opinião muito melhor que os meus ‘nota 10’ dados pela professora. Achava-o melhor porque falava de um tema, que mesmo parecendo banal, era pertinente a todas as pessoas que estão ainda desenvolvendo sua personalidade. Chamava-se, se me lembro, 'A máquina de ler pensamentos', e discorria sobre um rapaz que, querendo saber o que seus amigos e colegas achavam dele, principalmente a garota de quem ele gostava, resolveu criar a tal máquina. E acabou se matando, após construi-la, ao descobrir a falsidade das pessoas que ele julgava serem seus amigos, e de descobrir que aquela garota também agia igual aos outros. Trágico. Assim eram seus finais de texto, alguém sempre morria. Mas a morte daquele rapaz é que fazia pensar em como era problemática sua relação com os outros, e como se sentia incapaz de mudar a si mesmo para se adaptar e mesmo mudar a relação das outras pessoas para com ele. A morte foi apenas uma fuga, uma fuga da realidade que o descobria indefeso e despreparado. E nesses dias, refletindo no meu passado, encontrei-me em minhas lembranças com aquele texto, e nem lembrei dos meus, do que se tratavam, sobre o que falavam. Lembrei do texto do Cristiano, e vi que eu podia ter sido aquele rapaz, porque queria saber o que os outros pensavam de mim, e tinha medo de descobrir a verdade. Talvez tivesse sido meu destino, mas o fato é que nem sempre a história é linear, e numa das curvas que ela faz acabei me encontrando a mim mesmo, e nessa conversa interior descobri verdades e mentiras, fatos e lendas desvendados que me deram a direção, se não mais certa, melhor do que aquela que estava a seguir. Do Cristiano nada mais soube, mudou-se para o interior com a esposa há alguns anos. Mas espero que não tenha perdido o gosto de escrever, de colocar no papel aquilo que pensava ou que o incomodava. Espero, um dia, voltar a ler algo dele. 23/03 a 29/07/2000 O nome dela... não vou contar, prefiro que fique no anonimato, é melhor assim. Também não vou falar o dele. Basta lerem o que tenho a escrever, e já estarei livre de um peso da consciência. Era no tempo do colégio, ele era um pouco mais novo que nós. Daqueles tipos calados, mas inteligentes. Não era muito esperto; sabe aqueles caras que ainda estão passando para a adolescência? Aquela fase conturbada da vida, principalmente para os jovens? É, isso é algo complicado... Vamos ver se consigo descrever essa sensação: imagine-se num corredor todo branco, com quadros de figuras bizarras penduradas nas paredes; tais figuras são familiares para você, por isso não intimidam; existem duas portas, em lados opostos, uma aberta e outra fechada; pela aberta, você vê diversas figuras de sua infância, e vozes dizem para você andar e abrir a outra. Para muitos isso passa despercebido. Mas acho que alguns ficam com medo de abri-la, e acabam por fechar a outra que já estava aberta, criando um mundo intermediário ali, só deles. Assim era aquele garoto, buscando segurança num mundo criado por sua imaginação. Ela não era assim, não. Era daquelas garotas sensíveis, moças por assim dizer, porque as mulheres sempre amadurecem mais cedo que nós, homens. Acho que ela, por ser mais extrovertida, já tinha aberto aquela porta, mas precisava de alguém que entrasse com ela, como posso dizer, para ter maior segurança em si mesma. Por isso ficou encostada à parede, mas já do outro lado. O que ela viu nele, eu não sei. Até hoje fico a imaginar: seria amor à primeira vista, ou uma conjunção de condições quase semelhantes? É bom não supor nada. E também isso é o menos importante. O fato é que ela tentou se aproximar dele. Conversavam muito, chegaram mesmo a estudar juntos no mesmo grupo, e isso durou talvez seis, sete meses. Só que ele, fechado no seu mundo, não percebia que ela era a chave para atravessar aquela porta que ele tanto temia e o prendia. Mas ela não desistia, acreditando que um cara como ele, tão inteligente quanto era, com quem convivera aqueles meses todos, tinha que estar sentindo alguma coisa por ela. Lembra-se daquela história de que o homem é quem deve tomar a iniciativa numa relação? Talvez fosse isso que ela estivesse esperando. Vamos admitir, ela já tinha dado todas as dicas, só um cego para não ver! Ou alguém como ele. Não sei dizer ao certo, mas parecia claro a todos q o conheciam q ele tinha um complexo de derrotado... Sim, seria mais ou menos esse o sentido. Ele sempre começava alguma coisa já com o espírito preparado para perder, o que era ruim, não só pra ele, mas para qualquer um em nossa idade. E mesmo sendo assim, seu jeito nos influenciou, pois de algum modo ele procurava aprender a conviver com seus medos, sempre ajudando o pessoal nas horas difíceis. Só que tinha chegado a hora da verdade, e ele teria que sair daquele mundo. Era como se as figuras e as vozes começassem a gritar, e o corredor fosse ficando estreito, estreito, empurrando-o para a porta. Mas a dor foi tanta, de se ver descoberto e indefeso neste nosso mundo que, para se proteger dos outros, criou uma máscara que o cobria. Assim, se por fora parecia ser a mesma pessoa, por dentro estava acontecendo uma revolução. Verdade é que quando isso aconteceu, ela já estava cansada daquele jogo, afinal quase um ano tentando era tempo demais. Mas acho, e aqui é uma opinião minha, acho que ela buscou mais resolver seus próprios problemas a tentar entender o que acontecia com ele. Sim, creio que ela não enxergou as reais dimensões daquela... E eram para ser um belo casal, tão perfeito os achavam as outras pessoas, mas que os destinos não se cruzaram o suficiente. Ela está bem hoje, mas ele... bom, é melhor deixar as almas em paz. Julho de 99 Do you remember The day when We talked about us? Do you remember What I asked you And what was your answer? Do you remember How I was before You know me better? You’ve known just a part from me, But you’ve showed the best of myself, The best I’ve never been! Was I a crazy guy? Yes, I was crazy, Crazy for you, Willing to stay By your side The rest of my life... When you read it, You’ll only say: "Words, words, Words..." But listen! It’s my way to tell you How much I love you! 04/out/00 (*) "Changes" is the name of a ‘Black Sabbath’ song, and the lyric talks about someone who ‘lost’ the most important person in his life. The beginning: "I feel unhappy I feel so sad I lost the best friend That I've ever had She was my woman I loved her so But it’s too late now I’ve let her go I’m going through changes I’m going through changes..."  | Batom | Jul 10, '09 6:23 PM for everyone |
Mais um dia que passa... Espreguiça-se ainda na cama e olha o relógio: estava atrasada novamente. Levanta-se, vai ao banheiro, quase que mecanicamente. Depois prepara o café, toma correndo e sai para o trabalho. "Mais uma bronca da chefe...", ela pensa consigo mesma. Mal chegou, já foi ouvindo a ‘chefe’ lhe falando que "era a última vez que permitia aquilo!", que "a próxima será rua!", essas coisas. E se apronta para iniciar o trabalho, ainda um pouco sonolenta. De repente... "– Tia!" Ela virou-se e olhou para frente. Não viu ninguém. Então, percebeu algo aos seus pés. Era uma menininha que a encarava de seus 80 centímetros de altura. "– Fala, mocinha? O que você deseja?", sorrindo ela lhe respondeu, executando seu trabalho ali naquela loja, na periferia da cidade. "– Sabe o que é? É que eu queria saber se você tem batom...", a menina foi dizendo com uma carinha cheia de esperança. Tinha os cabelos cacheados, cor castanho-claro, presos por um lacinho na nuca. "– Não, a gente não tem batom aqui...",respondendo-lhe docilmente, "Qual o seu nome?" "– Liliam, e o seu?" "– Eliana. Que lindo nome você tem!", admirando a beleza daquela criança, aquele narizinho redondinho, aquele seu jeito de olhar profundo e intenso, com aqueles olhos azuis. "– Filha, vem!", sua mãe a chamou ali de fora e, nisso, ela virou-se e a olhou um momento. O vestido que usava também tinha um laço na cintura, como daquelas bonequinhas de pano, que aliás ela segurava a sua com o braço esquerdo. A menina voltou-se e perguntou: "– Mas você não tem batom?" "– Eu? Tenho sim..." "– E você não usa?", ela replicou, intrigada. "– Uso!", Eliana respondeu, sem entender o porquê daquilo. "– Você não quer passar em mim?...", ela olhou a funcionária com a inocência que só uma criança poderia fazer, com um dedo no cantinho da boca... "– Desculpe, não ‘tá aqui o meu batom... ‘tá em casa...", ela tentou explicar. "– Ah... tudo bem então...", olhando o chão, tristemente... "– Filha! O ônibus!", a mãe a chamava novamente. Estava cheia de sacolas, preocupada mais em tomar o ônibus do que com quem a menina falava. Parecia costureira, com tanto tecido que carregava, ou... "– Já vou!", ela gritou, e virando-se, com lágrimas nos olhos disse, "Tchau, tia!", e saiu correndo calçada afora. E Eliana ficou ali, imóvel, achando graça naquele jeitinho da menina que, mesmo sem ter conseguido o que queria, deu um tchau para ela, que lhe negara o batom, com uma tentativa de sorriso entre os lábios... Por fim, virou-se e foi continuar a fazer seu trabalho na loja, com um sorriso e uma alegria em si que não conseguia explicar. Janeiro de 2000  | Um amigo | Jul 10, '09 6:23 PM for everyone |
Tinha sido ele o cara mais legal que já havia conhecido. Nunca fora de brigas, seu negócio eram os estudos. Quando fizemos a faculdade, vivia ele a pior fase de seus dias, sempre em crises existenciais. Mas com a Fê ele encontrou respostas aos seus problemas. Trabalhou por trabalhar, não era de seu feitio crescer na empresa. Sempre aceitou tudo que lhe mandavam. O escritório era para ele uma tortura. Não agüento ficar fechado. Preciso viajar. Por que não ir? E voltar desempregado? Era um comodista. Nem sempre foi assim. Na infância, diria até o colegial, sempre se empenhou ao máximo nos estudos. Pare de estudar um pouco, vá jogar bola ou assistir TV. Ganha-se o quê com isso? A vida, meu filho. Sua mãe preocupava-se com ele. Sua morte o abalou há pouco tempo. Não, não foi dolorido, teria sido sim sereno. Chamou-me dia desses para conversar. Contou-me todo o curso de sua história. Nunca fui feliz... E a Fê? Você não a amava? Sempre soube que eu gostava dela. Inveja. Tirou-a de mim. Mas não lhe culpo por isso. Essa noite fria no cemitério me deixava pálido. Melhor seria ter deixado as flores na frente de seu túmulo. Naquele mesmo dia preparou a arma. Rápido e fatal. Sofrera a vida inteira com essa espinha na garganta. E agora podia dormir o sono eterno em paz. Novembro de 96  | Abraço | Jul 10, '09 6:22 PM for everyone |
Ele chegou-se ao lado dela assim, como quem não queria nada, e sentou-se ali na mureta da escola. Ficou a olhar, ele a carinha dela, ela as pedrinhas que estavam no chão. A manhã estava meio fria naquele horário, finzinho de intervalo. Ela então desviou seu olhar para o dele e, quando se encontraram, ele sorriu. Ela devolveu o sorriso, mas voltou a baixar os olhos e fitar as pedrinhas. Queriam falar algo, queriam quebrar aquela barreira silenciosa que, mesmo estando tão pertos, deixava-os distantes um do outro. Os segundos eram intermináveis, como se o eterno estivesse ali, naquele momento, separando os dois. Ele olha a mão dela sobre o muro, e uma idéia lhe passa pela cabeça. Porém, seu braço não reage, seu corpo não responde, talvez por não saber se era a coisa certa a se fazer em tal situação. Começa a deslizar seus olhos pelas linhas do rosto dela, meio tristonhos, a admirar belezas que jamais reparara em outra alguém. Desce para a blusa, de lã branca, que a deixava linda. Desvia o rosto de repente, teve a sensação de que estava roubando algo dela, e que não lhe pertencia, nunca pertenceria... Mas por que ela estava daquele jeito? No que pensava, o que estava sentindo? Volta seus olhos para as pedras no chão, tantas naquele pátio pequeno na lateral da escola. Olhou ao redor, viu uma servente a observá-los de longe, lá do portão. Não gostava dela, tinha-o reprimido certa vez naquele pátio mesmo. Devia estar pensando bobagens agora. Desferiu um olhar nervoso, e ela virou-se para a rua. Então viu a árvore no cantinho esquecido do pátio, cujos galhos alguns gostavam de se dependurar, para diversão da turma e desespero das serventes. Ali onde, há tanto tempo, fizeram a jura de "amigos para sempre", em toda e qualquer circunstância... Baixou a cabeça, achava que não havia sido tão amigo para ela como ela fora efetivamente para ele. Subitamente, ela desceu do muro. Ele pensa em descer também, mas ela lhe faz um sinal e ele aguarda, meio apreensivo. Vai ao bebedouro, e ele se alivia. Fica a observá-la por toda a caminhada. Na volta, ela ergue os braços e corre, como se fosse um avião, prestes a voar. Ele acha graça e ambos sorriem juntos. Mas no meio do caminho ela pára e volta a olhar o chão. Ele decide ir a seu encontro, mas antes de alcançá-la, ela se adiantou e o abraçou ali, no meio do pátio. Estava chorando, e ele, sem entender, perguntou: " – O que foi?", as únicas palavras que seriam proferidas pelos lábios de ambos. Estava sendo maldosa, não só com ele, como também consigo mesma, mas não iria dizer nada. Naquele instante, queria apenas a presença dele e que aquele abraço jamais acabasse, o último e saudoso abraço... Um beijo, era tudo o que queria agora, e, em meio ao abraço, ela o beijou, e ele retribuindo, ficaram ali entregues um ao outro. Um beijo longo, sem fim, daqueles que se lembra por todo o sempre...Assim, ela sentiu todo o aconchego e tranqüilidade que ele sempre lhe passara. Ela soltou-se dele, que levou as mãos ao seu rosto e limpou as lágrimas, apesar de deixá-la ainda mais bela. E, afastando-se, ela segurou os braços dele o máximo de tempo possível, até que as pontinhas dos dedos se desvencilharam, ela sorriu e saiu correndo, sorrindo-chorando numa dor enorme dentro de si. E ele a viu afastar-se mais e mais, a passar pelo portão e pela servente sem ao menos olhar para trás, como se corresse para guardar no lugar mais seguro e bem protegido todas aquelas sensações daquele pátio, como se nunca mais fosse senti-las de novo, na vida... 19-22/05/00 há meses venho pensando em refazer esta página de auto-apresentação. muitos rascunhos foram feitos, o que não deixa de ser engraçado, já que este texto que você lê nada se utilizou do que foi escrito em folhas de papel anteriores. algumas idéias nelas contidas permaneceram, mas com outras palavras, talvez o mesmo sentido. na verdade pensei em escrever um manifesto, algo no qual as pessoas acreditassem e divulgassem por aí. mas de cara descartei essa idéia, afinal nunca me dei bem com essas coisas de grandeza. e, quando muito, o melhor que faço é alterar hábitos próprios, o que já é muito, visto que muitos passam a vida tentando mudar aqueles ao redor sem jamais questionar a si mesmos. mas nada de críticas. lembro-me de uma redação que escrevi no colégio certa vez. era uma auto-apresentação também, e precisava ter algo diferente do que normalmente se escrevia. ‘normal’... juro que ainda vou tentar escrever algo a respeito do que se entende por ‘normal’. mas voltando ao assunto. iniciei a dita redação com a implacável questão metafísica do ‘quem sou eu?’, que afinal não interessava nome, se o que se queria descrever era a pessoa em si, suas caracterísitcas mais marcantes e o meio em que vive e convive. ‘o ser humano é um ser social’. ‘o ser humano é um ser individual’. nada mal. mas falar sobre isso tudo enche várias páginas, acredite, eu tentei e não fui muito longe. melhor ficar na constatação do que teorizar a respeito. descrever o ser humano, o ser social, tem lá suas linhas comuns, sua forma de viver em sociedade, sua história. mas o ser individual, esse é extremamente complexo porque envolve tantos e tantos aspectos que é difícil de explicá-los, mesmo que se tome como base um único ser. e, no caso, esse ser sou eu mesmo. nunca pensei que conseguiria enrolar tanto para falar de mim. não deixa de ser irônico, afinal tudo que foi escrito acima saiu de mim e portanto diz algo a meu respeito. mas é como a questão dos rascunhos, se é que vou conseguir me fazer entender. estamos sempre tentando nos reescrever, a cada momento, a cada nova situação que vivenciamos, passamos a ter uma nova perspectiva sobre nossas experiências, às vezes mudamos completamente devido a certas ‘verdades’ com as quais somos confrontados. e vamos assimilando a tudo isso com o passar do tempo. mais que isso, cada um de nós passa por experiências na vida completamente singulares, pessoais e de interpretação própria, o que torna cada ser único. não lembro o autor que disse que o ser humano é um ser egoísta por natureza, Freud talvez. sempre se vê como o centro de seu universo. foi um capítulo de um livro para a matéria de R.H (recursos humanos, no mundo corporativo) no qual li (desculpe, também não me lembro o autor mas prometo procurar e indicar corretamente seu nome aqui) que os grandes gênios são aqueles que mantém a mente aberta para toda sua experiência, todo seu conhecimento, e que dessa forma aquilo que criam, apesar de ser para si mesmos, acabam por beneficiar toda a humanidade. e o autor cita Aristóteles como exemplo disso, e algum ditador da era contemporânea como o contraposto. mas enfim, contar toda minha vida não faz parte de meu objetivo com esta página. continuo a repensar em muitas coisas que faço na vida, e ainda não assimilei bem que serei assim até o fim de meus dias. ainda há um pouco de idealismo e crença de que posso mudar o mundo, como todo jovem. contar minha vida fica para uma próxima oportunidade, em breve eu espero. basta muito pouco. sagitariano no signo, aquário de ascendente. adoro a liberdade, sei que há limites, mas continuo a acreditar. é um conceito muito amplo, difícil de se definir, mas que toda pessoa tem uma certa noção do que seja. ‘democracia é um estado de espírito’ difícil de se alcançar, e tem sido o grande desafio das sociedades ocidentais. será? ‘penso, logo existo’ (Descartes). o ser humano é um ser que duvida. eu sou um ponto de interrogação. muitas dúvidas circundam minha mente no momento presente. amigos são tudo nessa vida, ajudam-nos a dar os passos com mais segurança. mas o caminho somos nós quem devemos decidir qual seguir. prometo que não escreverei tantas frases desconexas. ando num momento bem pensativo ultimamente. essa coisa de vida on-line e vida real. juro que não consegui mesclar esses dois mundo ainda. mas estou trabalhando nisso. no mundo web parece que conseguimos ser nós mesmos, em essência. sem querer generalizar, claro. fui freqüentador de salas de bate-papo por dois anos, do fim de 98 ao início de 2000 e já vi muito tipo de gente diferente que passa por esses lugares. mas nesse mundo dos blogs, alguns deles apresentam a essência da pessoa que o escreve, e isso fascina. a pretensão era apoiar a imaginação para escrever novos textos, uma vez que gosto de escrever. mas não consegui ainda direcionar para isso. têm muitos blogs por aí inspiradores, todavia, o que me motiva a manter a idéia sempre ao alcance. até o presente momento, escrevi apenas um texto desde que abri esse blog, há mais de ano. terminei a faculdade em 2002. administração de empresas. tinha feito curso técnico de eletrotécnica, na ETFSP, mais conhecida como Federal, hoje alterada para CEFET-SP, ali no Canindé, bairro da zona norte desta cidade. São Paulo, para quem não sabe. atualmente estou fazendo pós na FIA, fundação ligada à FEA, com previsão de terminar até dez/2009. continuo trabalhando na mesma empresa que entrei fazendo estágio, em 2000. sim, nove anos! quem diria? ;-) agora em 2009 mudei novamente de área, como aconteceu em 2005! novos desafios e muitas oportunidades. espero saber aproveitá-las! gosto de ler. muitos dos sites que visito possuem algo interessante a ser lido. vou lembrar disso e incrementar a lista de links que tenho no blog. há muitos escritores pela internet, a variedade é imensa. isso é bom, a internet permitiu a muita gente ter o espaço para divulgar seu trabalho. já li muitos livros, em geral de literatura portuguesa ou brasileira, coisas de colégio, além de vários daquela série Vaga-Lume, da editora Ática. tem também a série dos ‘Caras’, do Pedro Bandeira. um dos que me impressionaram muito foi o britânico Edgar Allan Poe e seu conto ‘O Retrato Oval’, que uma professora de redação do colégio nos apresentou em sala. outro, também na linha do conto, só que dessa vez policial, foi o Jorge Luis Borges, escritor argentino, o qual estudei em uma matéria na FFLCH. tem sempre os clássicos, Machado de Assis, Mário de Andrade. mais recentemente comecei a comprar livros de Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Victor Hugo, Plabo Neruda. aos poucos vou lendo, mais devagar do que gostaria. música é outra coisa da qual gosto muito. mas sou apenas bom ouvinte. rock em geral, e nada muito pesado. verdade que andei bem desatualizado por uns tempos, nem sei direito quais as bandas que atualmente tocam nas rádios. tem o Creed, o Linkin Park, mas gosto mesmo dos mais antigos, Aerosmith, U2, Green Day, Pink Floyd, Beatles. mas não são todas as músicas deles que me atraem, apenas algumas. Também gosto da Alanis Morissette, The Corrs, Fiona Apple, Joni Mitchell. Dos nacionais, Pato Fu eu adoro, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Titãs, Cássia Eller, Skank, CPM22. e não posso deixar de citar a Legião Urbana. gosto muito das letras do Renato Russo, sempre fonte de inspiração em momentos mais duros da vida. bem, acho que é isso. não consigo pensar em mais nada que seja interessante deixar registrado aqui. até que escrevi bastante (demais, na verdade!), para alguém que não gosta de escrever sobre si mesmo. 04/09/2002 atualizado em 05/11/2006 atualizado em 10/07/2009 té mais! Edson
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